sábado, 23 de novembro de 2013

"Frio"

Frio é o teu olhar, indiferente,
Que olha a gente, mas não penetra
No nosso íntimo, nem vem do teu.
Frio é tudo o que não aquece
Que esmorece
E faz parar teu pensamento e o meu.
Frio é o silêncio da solidão
Nuvem carregada no coração.
Frio é o vazio
Frio é a indiferença ou malquerença.
Frio é arrepio
Que passa no corpo da gente
Que treme por dentro e que sente
Que algo passou
Que não é bom.
Frio, porque o pássaro se esconde
Não canta, não se mostra
No buraco de qualquer árvore se enrosca.
Frio é o louco vento
Que ensurdece meu pensamento.
Frio é também bela lareira
Que dá calor.
E aconchegada na tua cama
Fazes amor.
Abres janelas, tudo branqueia,
Aí tu ficas com alma cheia.
Eu não condeno todos os frios.
Os frios da alma, esses, eu temo
Ai! A esses eu tenho horror!

Beatriz Correia

domingo, 3 de novembro de 2013

Estamos cansados

A transformação deste País que amamos é impressionante. Parem, vejam, escutem o pulsar deste povo, visitem a miséria,protejam e dêem ânimo aos envergonhados, tomem conhecimento de tudo o que se passa.
Não se deixem cegar pelo vosso conforto, não se escondam nos estofos de pele da vossa extensa frota de automóveis de luxo. Dispensem tantos assessores, sejam humildes ,não ao exterior, mas aos vossos... compatriotas, que vos elegeram. Digam-nos o que está por detrás de tudo isto; se compreendessemos... Qual é o aspirador que sorve tanto dinheiro?
Não observam e não têm orgulho em tantos portugueses que em todas as
áreas ganham medalhas de ouro, prata; não ouvem falar nos turistas que curiosos vêem alguns para apreciar a nossa desgraça e se deslumbram
com tudo oque se lhes depara; não repararam no surto de criadores que enfrentam os competidores estrangeiros; não viram como todos cobiçam os jovens inventores, que nos roubam. Estamos cansados de vós.Parem.
Abram as vossas mentes, não deixem pagar o justo pelo pecador.Se o não fizerem e não mudarem o sistema, que vos atrai, certo será que a maior onda da Nazaré nos afogará a todos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Apetece-me dizer bem.

Apetece-me a dizer bem…

Sofrem os portugueses de uma doença grave há já muitos anos, muitos anos mesmo, para a qual dificilmente se encontra cura: dizer mal de tudo, de Portugal, dos portugueses, da Pátria, do seu concelho, das autarquias, dos políticos (coitados), da vizinha, da vida, enfim…

E como é que se vive?... E como é que se vivia?...

Apetece-me dizer bem.

Que bom é que em Portugal tanta gente nova tenha casa própria, bem apetrechada, com todos os decoradores à sua volta.

Que país maravilhoso onde em quase todos os lares há carros para pais, filhos, esposas e netos.

Como nós vivemos felizes naquelas filas enormes para adquirir bilhetes caros para assistir aos grandes desafios de futebol ou Festivais (a multidão quase se esmaga), numa histeria louca.

Que variedade e requinte de montras onde se exibem todas as marcas dos grandes costureiros, com roupas, sapatos e acessórios, de entontecer.

Que lindas as toiletes das esbeltas senhoras, quando pisam a passadeira vermelha, nos grandes eventos.

Calculem bem como é bom usufruir das belas mansões no Alentejo, Algarve ou no paraíso do Douro.

Que País tem Sol, calor, frio, trovoada, nevoeiro, graniso e neve, no mesmo dia; já tivemos.

Que País tem uma classe política tão engraçada como o nosso? O seu sorriso quando anunciam medidas que humilham milhares de cidadãos, a sua versatilidade, a seriedade, sua mutação, exageros, golpes de teatro, com os meios de comunicação a ajudar; causam mesmo emoção.

E o folclore, a gastronomia, as praias, os monumentos, os solares nortenhos, os vinhos, os queijos, os linhos, os bordados e as cores!


Apeteceu-me dizer bem, que me perdoem os ofendidos deste lindo País.




Beatriz correia 17/09/2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Haja bom senso!...

Num anterior blog apontava a crise moral no nosso País e continuo afirmando que é mais mental do que económica.Os portugueses pouco ou nada mudaram nos seus pensamentos e nos seus conceitos.
A Europa parece ter provocado uma espécie de terrorismo económico e nós na nossa proverbial submissão,já há muito enraizada, transpomos para o povo através dos meios de comunicação, um fatalismo que nos envergonha...Tudo isto leva ao erro, ao desânimo, á depressão e não poucas vezes está a levar ao suicídio.
Quem como cidadã,já assistiu a outras crises, já ouviu e passou por guerras anteriores,permito-me alertar
para as consequências desta trajetória do desânimo.
Nunca vi o povo português tão sem Esperança!Calma!...Não é na modorra, temperada com lamúrias. fatalismos e desgraças que um país avança.E os arautos da desgraça, os dirigentes, por nós eleitos, fazem disso um cavalo de batalha. Anunciam medidas que fazem tremer, ao outro dia,desmentem-nas.Mas o que é isto? O que pretendem? Eu julgo que nem eles sabem, presos que estão a um hipnotismo europeu que não os deixa pensar.
Admito que a coisa é séria e nem pensões,nem vencimentos,nem poupanças,nem ricos,nem emergentes se podem sentir seguros nem nos empregos, para quem os tem,nem nas contas chorudas.Jaques Delors avisou:-Ponham de parte as querelas políticas e recusem-se a que os banqueiros façam tremer os governos da zona Euro.Foi presidente da  Comissão Europeia e deve conhecer os seus meandros como ninguém.ABanca deu facilidades a todos, sem olhar a quem.Agora tritura-os e tortura-os.
"A formiga alemã não está disposta a sustentar a cigarra dos países pobres", segundo a chanceler.
Há que mudar mentalidades: porque é que os emigrantes preferidos na Alemanha são os portugueses?
Sei. São honestos e trabalhadores.Alguém compreende esta falta de coerência e de bom senso? Eu não.
Só vejo a minha linda Pátria a esvaziar-se ingloriamente!...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MAR

MAR, meu ser já não sou eu. O SOL, a brisa, a areia e o teu cheiro... Faz-me ser leve, voar, ninfa, sereia, peixe do mar. Partir, sair do meu lugar. E ficar tonta só de te olhar...

A tua espuma branca, branquinha, com o seu ruído de estralejar, nos atrái, nos desafia, a rodear, leve, os nossos pés. E aí mesmo, nos vem beijar.

Tudo se esvai... Tudo se esquece... Só tu atrais... Num impensado temor, não sei se é raiva, se é amor.
A ti me entrego, contigo luto e assim disfruto todo um prazer. De quem mais fraco, te vai vencer.

E tu me acolhes, me fortaleces, me acaricias e me endoideces. Saio cansada. Luta acabada...



E o corpo por ti banhado,
Ao sol se aquece reconfortado!...

terça-feira, 30 de abril de 2013

A insuportável incerteza


A Insuportável Incerteza...

Nos tempos que vamos vivendo,o maior, o mais pesado estigma com que estes governos nos têm marcado é o da incerteza e da confusão.A confusão e o viver nela é qualquer coisa muito difícil de suportar: há a confusão dos nossos sentimentos, há a confusão das multidões, a do vazio quando nos falta alguém, muitas confusões, etc.
Muitas vezes no meio de um silêncio saboroso, de uma paz de alma, duma meditação, surgem pensamentos contraditórios, tristezas e mágoas, raivas e malquerenças, dores e sofrimentos que nos confundem.
Confusão é também viver num mundo, onde globalmente ninguém se entende; sem respeito, sem  ternura, sem pudor nem dignidade.Diz-se uma coisa hoje, desmente-se amanhã.
Houve uma época em que o "Zè e a Maria" pensaram que seriam sempre ricos, compraram casa, carros, férias, sem  sequer notar que os Bancos é que eram os proprietários...
A televisão, a imprensa, a rádio, os comentadores ajudaram à"facilidade".Agora reina a incerteza!
Nos Hospitais,se uma grande percentagem trabalha, dedica-se, humaniza a sua função, outros há que não nasceram para estar ali. Desses alguns já estão a pagar a sua displicência.
Mas o "Zé e a Maria"têm medo de adoecer; lá está a incerteza!
Na Educação é o caos total: - Alunos, pais, professores e todos os agentes da educação, não sabem o que os espera. Não se planeia, não se avisa, não se concorre transparentemente.E fica esquecido que toda esta confusão mexe com milhares de lares.Era de supor mais bom-senso,mais ponderação, mais cuidado e consideração pela população. Sei que há "MEMORANDOS" a cumprir, mas nenhum memorando se pode sobrepor à dignidade de um povo, que merece,oh! se merece e merece muito, dada a sua tolerância, ainda que revoltosa!
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domingo, 24 de março de 2013

Um novo PAPA




O fumo branco espalhou-se pelos céus perturbados do Vaticano!...
Temos PAPA!  Temos PAPA!
Mas ninguém previa que nós tínhamos um PAPA com um perfil doce, humilde, corajoso, capaz de modificar o procedimento de uma multidão de católicos espalhados por todo o Planeta.De tal modo ele me toca que tive medo de escrever sobre a sua inenarrável figura..
O Mundo em que vivemos é tão contrastante com o seu perfil,com  o que faz e diz, que se sente um certo constrangimento e até receio de falar ou escrever sobre alguém que nos toca no fundo da alma.
Toca-nos com uma simplicidade, uma alegria," um sou como vós," sem distanciamentos, como que iluminado de uma força interior, que nos acanha.
Já demonstrou com várias atitudes que não lhe interessa o Poder. Luta, pelo despojamento exagerado da   Igreja. Parece não lhe interessar muito a aproximação aos ricos.Não teme os que o rodeiam. Procura a união das diferentes religiões. combatendo os radicalismos ou fanatismos que tantas guerras provocam e sempre provocaram. Os seus interesses centram-se nos mais pobres e desprotegidos.
Em tão pouco tempo são já muitas as modificações por ele apontadas-
Será que a Igreja envolverá a sua hierarquia em todos estes sinais dados?
Não passa de uma interrogação absolutamente legítima.O Vaticano é um Estado poderoso tanto económicamente como pela sua hierarquia. mas a mais inffluente votou : no Cardeal Bergoglio.
Deste modo terá de assumir essa mesma votação.
Um Papa culto, com este carisma.,cheio de inspiração, mal vai a Igreja se não usar este simbolismo,que aproximará os católicos em vez de entraves e preconceitos que só os afastavam As exigências, por vezes eram tantas e tão descabidas, que mesmo, quem foi educado segundo os seus cânones, eram postos um pouco à margem. Criou-se uma elite que desmerecia os outros, como se fossem mais do que eles .
O PAPA veio em sinais inequívocos dizer:  amai-vos uns aos outros , mesmo aos que não têm a tua fé, porque disso não são culpados.
Eis que veio a inspiração da verdadeira Fraternidade!
O  PAPA fez renascer a Esperança!....







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domingo, 17 de março de 2013

Mães

MÃES DE ONTEM…          MÃES DE HOJE…       MÃES DE AMANHÃ…


A palavra MÃE é, para quase todos, a palavra mais forte, mais intensa, mais afectiva que sempre existiu. É um amor único, incomensurável, é “Aquele Amor”, que não é igual a mais nenhum.
É o amor que se dá com toda a pujança de sentimentos, sem esperar receber nada em troca e nunca muda.
No entanto, o papel de mãe, esse tem mudado muito, através dos tempos e duma maneira extraordinária.

RECORDEMOS A MÂE DE ONTEM:
 
De há setenta anos ou mais-_A MATRIARCA_ aquela que era destinada à procriação, que lavava, limpava, trabalhava no campo, tinha um filho na barriga enquanto ainda amamentava o anteri, saias compridas, seios avantajados de tão sugados; mãe cuja carga era tanta que delegava, parte dela, à filha mais velha. A sua palavra era uma ordem.
Quando partia (regra geral) no meio dos seus lençois de linho e sobre o colchão de folhelho, tinha ao seu redor toda a família e o SR. Padre para lhe dar a Extrema  Unção,

PASSEMOS AGORA PARA A MÂE DE HOJE:

Tira o seu curso; com ele a cultura e a emancipação, a sua liberdade, o seu trabalho absorvente, corre para aqui, corre para ali, vai ao supermercado, arranja comida confeccionada, vai à avó buscar as crianças, ou à Creche onde os deixou…
Enfia-os no carro, com as suas tremendas mochilas, guia nervosa por entre um trânsito caótico e lá para as nove ou dez horas entra em casa. Jantar na mesa, deveres feitos, computador na frente, mastiga qualquer coisa, manda os filhos para a cama.
Regra geral deixa esta vida ou num Lar ou na cama de um hospital, sem a mão dos filhos a baixarem-lhe as pálpebras Dela dependeu a economia de um lar, fazer das fraquezas forças, sem tempo para orientar os filhos, deixando passar a vida ao lado. A mãe de hoje tem filhos mais autónomos, mais capazes de optar. Mas mais mandões, mas muito menos afectivos.


NÃO SEI SE SOU CAPAZ DE VISLUMBRAR AS MÃES DE AMANHÃ:

Não sou forte em futurologia, mas com a nova geração  vai ser diferente e vai sê-lo porque se lhe deparam tantas lutas que outras não tiveram. Serão obrigados a um aperfeiçoamento profissional muito apurado, sofrerão por não arranjar emprego e vão volatilizar-se por essa Europa fora, como já está a acontecer As mães terão de ser diferentes. Os filhos virão ou não. Outros serão os seus objectivos fundamentais. Imagino-as mulheres lutadoras, superarão as crises, ocuparão cargos de grande relevo em embaixadas, cargos públicos, directorias e governos, etc.
Elas vão dar cartas e pelo que apreciamos as novas gerações não irão para pior…
  Acredito que as jovens serão capazes de dar uma grande reviravolta neste Mundo absolutamente louco!...
E grandes mulheres irão aparecer na ribalta, com ou sem filhos, com um companheiro ou vários, com esta religião ou aquela, espalhadas por esse mundo global, trazendo outros costumes, mais tolerância, mais Paz.




















quarta-feira, 6 de março de 2013

Como Pode?



Como pode um País como o nosso Portugal chegar à situação em que se encontra? Pela profissão que o meu marido tinha, fui obrigada a percorrer uma grande parte deste pequena Nação; assim pude aperceber-me como ela é grande!..
 Espanta-me sempre o dinamismo desta população, o entusiasmo com que fazem as suas feiras artesanais e medievais; o empenho em manter as suas tradições a sua cada vez mais variada gastronomia popular e conventual.As festas e romarias,o religioso em simbiose com o pagão, numa harmonia arcaica que enternece.Gostaria de deixar aqui o que vivi e senti em muitas das terras onde trabalhei e passeei.Se mais não fosse, poderia fazer crescer o orgulho de ser português.

Andei a dançar e brincar com os "Caretos" de Trás os Montes, em Miranda do Douro assisti à dança dos Pauliteiros, visitei a Igreja onde o Menino Jesus da Cartolinha a quem, mãos carinhosas lhe mudam a roupa variada, todos os dias,não esquecendo a cartolinha. Passeei de barco no rio Vouga, admirando as Termas de S. Pedro do Sul, consideradas, hoje das melhores da Europa. Em Vila Franca de Xira apreciei o gosto duvidoso dos ribatejanos pelas largadas de touros; assisti às festas do Colete Encarnado, onde as mantas de lã pura e cores mais qe garridas,enfeitavam as janelas. Subi ao castelo de Reguengos de Monsarraz
,pisando os seus caminhos feitos de godos; naveguei no Alqueva, o maior lago artificial do mundo e ouvi
a histõria de mágoas nele submersas.E não vou falar de tudo o que é Património da Humanidade.

MAS QUE TEREMOS NÓS COM ISTO?...------------------Muito.
 A riqueza deste País não está na Banca, nem na Política. Está nos seus valores
E a Europa não sabe, a Troyka ignora. Levem-nos á Festa dos Tabuleiros, à do chocolate em Óbidos, às esculturas de areia no Algarve, à festa das Flores em Rio Maior. Depois que façam "MEMORANDOS".
Depois, se ainda tiverem tempo joguem golf no Algarve, Sky na Serra da Estrela, um pouco de Surf na Nazaré e banhem-se nas mornas águas do Algarve.
Quem vem para conhecer,,,,AMA
Quem não conhece............ARRUÍNA.

COMO PODE?......
                                   

segunda-feira, 4 de março de 2013

Grândola


     
Ontem vivi um dia, que não esperava viver. Sou daquelas pessoas felizes, que assistiram ao dia em que se cantou pela primeira vez Grândola , Vila Morena. Foi a abertura de uma janela, que nunca se abrira.
Não sabia nada de política; não nos deixavam saber. Se nas ruas de Lisboa parassem duas ou mais pessoas a conversar eram logo convidadas a dispersar; se nos livros apareciam textos como o da Maria da Várzea, eu como professora apolítica, não percebia a sua abrangência como facto social. Se a Maria vinha rodeada de filhos, com o alguidar da roupa lavada à cabeça, um filho ao colo e outro provavelmente na barriga, isso era vulgar.
Quando se cantou a primeira vez a Grândola comecei a ver que algo estava errado.
Vejo então expandirem-se os meus horizontes como mulher, como educadora e como cidadã; nessa altura muitas perguntas surgem no nosso espírito: porquê a mulher só tinha uma escolaridade até ao terceiro ano? Porquê a professora para casar tinha que pedir autorização ao Ministério? Porquê aqueles cartazes, mapas e fotografias na parede do quadro? Porquê? Porquê? 
Zeca Afonso perdura no tempo, porque era culto, simples e até humilde, na sua genialidade. Com ele veio a euforia: os cravos, a alegria, a fraternidade, os cantores de intervenção, a tropa que ia fazendo descambar para caminhos que não queríamos.
Mas, nessa altura, já sabíamos o que queríamos!..
Sobre o ponto de vista pedagógico foi, para mim, um período áureo. Foi uma revolução de métodos e de hábitos, que me encantaram: ensinava brincando, aprendia tanto e tanto, meu Deus!

FOI A REVOLUÇÂO DOS CRAVOS!...ÙNICA NO MUNDO!...

O Zeca não pôs as suas canções ao serviço do desespero. Cantou-as para a alegria deste Povo, historicamente heroico, estoicamente corajoso e unido: o 1 de Maio de 74 assim o demonstrou. As pessoas, de riso aberto de esperança, falavam nas ruas sem se conhecerem, -apertavam-se as mãos, acenava-se; um clima de irmãos.
“ Amai-vos uns aos outros”, naquele dia Jesus Cristo sorriu.
Ontem eu vi renascer o Zeca Afonso e a Grândola dos velhos tempos. A canção dos antigos passou para os lábios dos jovens, passou para outros países. A canção ouviu-se em muitas terras deste mundo louco.
O Zeca não morreu…Está vivo na alma portuguesa .Só que ele não gostaria de ver tantas caras tristes, tantos rostos fechados, tantos cartazes insólitos e algumas lágrimas correndo.
Também tenho a noção, que os responsáveis políticos, banqueiros e oportunistas, observam tudo isto com um sorriso de troça.
CUIDADO!...Isto não mata mas amolenta e magoa. É bom não esquecer que cada um de nós tem um voto na mão.


AGORA CANTÁMOS;VAMOS VER DENTRO DE POUCO TEMPO, QUEM DANÇA.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

KALEVALA




 No começo, a virgem desceu ao mar. grávida de vento e água, e a ave fez o ninho sobre o seu joelho.
Mas os ovos rolaram para fora e quebraram-se; dos seus pedaços nasceram a Terra, o Céu, o Sol,a Lua e as nuvens.
A mãe de á,gua criou ainda as ilhas, cabos, baías e a profundeza do mar.


Retirado do poema épico finllandês "KALEVALA" agora traduzido para português, de um acordo cultural assinado pelo então presidente Jorge Sampaio e Tarja Halonem.
A tradução desde os primeiros versos,levou 10 anos,dadas as dificuldades linguísticas, a hibridez poética, o arcaismo, dificultaram o aparecimento desta obra extraordinária em Portugal.
Finalmente à venda para bem da cultura no nosso País.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Os Predadores


Todos sabemos que o sistema biológico se mantem e equilibra porque os animais maiores se alimentam dos mais pequenos, que lhe passam por perto.
Basta ir ao Oceanário e observar a rapidez, quase eléctrica, com que um pequeno camarão, escondido numa toca, surge para captar uma presa.
E outros peixes como a raia para se livrar do inimigo se enterra na areia em movediços jeitos de modo a confundir-se com esta, para passar incólume,E o esplendido tubarão, que não perde tempo com a raia miuda, desliza na água à espera do petisco que lhe satisfaça o inesgotável apetite e lhe encha o estômago
Acontece que surgem agora no Mundo outros Predadores,que eu não conhecia. Seguem as mesmas regras dos animais irracionais, mas são humanos e formam Nações poderosas.
Também se escondem em transacções equívocas, também têm as suas tocas"O Mercado de Capitais" também espreitam a presa e, sempre vorazes, engolem pequenas e frageis nações.
Não acham de extrema coincidência que a Alemanha também tenha vendido submarinos à Grécia e a Portugal?Seria para atrair as presas?
As empresas de Raking dão uma ajudinha,a Bolsa executa as suas danças, para mais rapidamente os Predadores exercerem a sua acção.
Será que temos também de nos esconder, como a raia, nas esplêndidas areias da nossa costa?
É que os tubarões já deram connosco e andam flutuando à volta, à volta...
O pior é que, mesmo dentro do nosso Aquário, a Pátria, também há tubarões e muita arraia miúda, sem defesas, porque não tem poder nem dinheiro.
Para onde caminhamos?Depois de comerem os pequenos, será que os grandes se comerão uns aos outros
Às vezes acontece...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

País sem regras...País sem leis...



País sem regras...País sem leis...

Nunca fomos cumpridores briosos de regras impostas, nem muito submissos ás Leis.
Não gostamos e não sabemos fazer boas progamações, preparar reuniões profícuas, em suma: somos avessos à funcionalidade.
A falta de dignidade, de civismo e de educação; a falta de método, de objectividade,de aprofundamento de conhecimentos, de mentes abertas, de bom senso, trouxe-nos até aqui ...
E eu não sei sinceramente o que é o "até aqui".
Há imensas coisas em Portugal que eu não consigo entender. Por exemplo: porque é que a Medicina dita convencional não adere nem colabora com outras medicinas alternativas?
Escrevo com conhecimento de causa: um membro da minha família foi acompanhado,num tremendo acidente,que o deixou paraplégico pela Medicina convencional.
Surgiu o I.N.E.M.(cumpriu primorosamente a sua função), seguiram-se os exames em dois hospitais,
médicos, internamentos, enfermeiras (Deus nos acuda!), as hipóteses,etc.
Acerta altura senti que todos dobravam os braços.
Inconformada,recorri à Medicina alternativa na especialidade de Osteopatia " Bem haja Dr.Cátia Roque"
A recuperação foi total, pois o doente tornou-se autónomo, percorre as ruas da cidade,sem qualquer ajuda,
claro que dentro de certos parâmetros.
 Porque falo eu nisto? Para me expor?...NÃO.
É somente para alertar os que ficam anos e anos numa cama ou em cadeira de rodas tendo alguns outras possibilidades, s´porque existem " Lobies" que não têm o direito de existir.
Unam-se todas as ciências, técnicas, descobertas para bem do " Ser Humano" que é um elemento sagrado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A neve caiu na Europa...

                                                    

                  Num prenúncio de Paz, de Alegria, de Luz e Pureza a neve aí está!..,
  Branca e leve Branca e fria…
                              Há quanto tempo a não via…
                              E que saudades Deus meu!..
      Veio queimar, gelar e derreter muito do feio, escuro, lamacento e pôdre que anda  por  aí ?
Anuncia-se o Inverno com toda a pompa e circunstância dando-nos um banho de pureza, e brancura.
      Branca ficará a alma de cada um, neste período tão lindo, tão forte de tradições, tão intrínseco de afectos?
      Branca ficará a mente  dos portugueses com as famílias unidas pelo amor, sem grande
aparato nem consumismo? Poderá alegrar e dar esperança aos que estão esquecidos?

      Ficará branca e cheia de esperança a entrada de um novo ano?
      A brancura atingirá os corações mais fechados, mais empedernidos, mais rancorosos, mais egocêntricos?
      Será que a luz que a sua brancura emite entrará em todas as casas, em todas as cidades, lugares e tugúrios?
      Deus oferece-nos todas as possibilidades e nós usamo-las, sem dar pela presença d`Ele.
      Quando penso que sou mais do que os outros, estou a manchar de negro a neve.
      Quando não considero o meu semelhante como meu amigo, estamos a procurar a escuridão, em vez da luz.
      Quando lutamos ansiosamente pelos bens materiais para nos sobrepormos como importantes, influentes e mais fortes, estamos a pisar a neve….
      Às vezes ponho-me a pensar como a Natureza nos dá cada lição que é de ficar atónico: - São as cheias inesperadas, provocadas por trombas de água impensáveis a  dizer-nos que somos impotentes, mesmo que fanfarrões.
      São os vulcões revoltados que explodem em chamas e lava, forçando povoações  inteiras a mudar de rumo.
      São os tsunamis em que o mar enraivecido leva tudo à sua frente em rajadas de força que nem hotéis, nem casas, nem homens, nem nada os detém.
      São tremores de terra que fazem ruir tanto os grandes palácios como barracas indefesas, matando, esmagando,  pessoas, animais e coisas.
      São minas que rugem, desabam e abafam no interior da terra, tirando vidas a trabalhadores que lutam.
      São tantos, tantos os fenómenos que nos demonstram que o indivíduo em si “é nada”, é” zero”…
      Por vezes há acontecimentos de séculos que parecendo anedotas, são factos:
      Um alquimista que andava em busca do elixir da juventude, descobriu a pólvora no Século IX. Misturou salitre e enxofre com carvão vegetal em determinadas proporções e… surgiu a pólvora. Agora vejam-se as consequências desta descoberta: A pólvora mata, mas também é utilizada no fogo-de-artifício.
      É com uma girândola de fogo-de-artifício mental, que termino este artigo e que ele lance os seus reflexos na neve que cobre a Europa dos Grandes.

      Não há neve que limpe as lágrimas do desespero.Não há.                                       
     

Vergonha


          


              Muitos velhinhos são encontrados mortos nos seus apartamentos.
              As notícias chegam-nos como um baque surdo, como uma espadeirada nas costas e direita ao coração. Sente-se vergonha, sente-se raiva, revolta, uma tal profusão de sentimentos que nos atordoa.
É que embora não saibam, não sou de esquerda (apesar de o pensarem, os pobres de espírito) nem sou da direita, do que ninguém tem dúvidas. Estou-me nas tintas para esses clubismos políticos.
Sou pela solidariedade, sou pela tolerância, sou principal e fundamentalmente pelo “Humanismo”. Detesto os políticos, detesto os fanáticos; neste momento detesto o mundo em que vivemos. Como isto é possível? A que ponto chegou a insensibilidade nas pessoas, nas instituições, nas autoridades, nos condomínios, nos vizinhos?... Salvaguardando o zelo das visitas e conversas que ultimamente as autoridades têm feito, tal era a escandalosa situação, assim como a distribuição de mecanismos de ligações directas a meios de auxílio, os tristes casos continuam!...
Setenta pessoas no Hospital Amadora-Sintra, abandonadas ou com medo de irem para casa… Somem-se-lhe agora os idosos dos outros hospitais. É um escandaloso facto.
Como este, há outros casos mais.
E o cidadão passa indiferente, impassível, como se fosse um caso de somenos.
Apertam as mãos na cabeça porque há mais idosos do que jovens de 15 anos. E que culpa têm os idosos? Que culpa têm eles de viver? Não convidam os jovens a emigrar? Quem fica?
Que culpa têm eles deste País ser um país de desperdícios. Desperdiçam o tempo, desperdiçam as relações humanas, desperdiçam o trabalho e … desperdiçam “o saber de experiência feito”. Cada velhinho tem consigo um manancial de conhecimentos, de valências, de histórias que são esquecidas e assim transformam um tesouro de vidas, tornando-as amorfas, sem entusiasmo, sem alegria e sem objectivos. Nos lares, nos hospitais, em casa, sozinhos, todos sofrem do mesmo mal… são desprezados. Que tempo é este em que desagregam completamente as famílias? Algumas há, que mantêm as suas tradições. Algumas há, que fingem que as mantêm. A maior parte diluiu-se, mantendo-se afastada, esboroou-se porque estar com velhos não é uma  coisa agradável. É muito mais divertido estar com o cão ou o gato.
O ser humano chegou nos últimos anos a esta conclusão: valem mais os animais do que o pai ou a mãe.
Doentes, desprotegidos, sós, afectivamente postos de parte. O que lhes resta? Morrer no chão duma cozinha e esperar nove anos que dêem por isso?..
Desgraçada será a geração que esquece quem os trouxe no ventre ou quem tem nas veias sangue do mesmo sangue…
A revolução tecnológica está aí, em força, tão necessária e útil quanto perigosa; mas nenhuma nação, por mais tecnicista que seja, poderá avançar calcando valores, esquecendo afectos, materializando tudo e, olhando pelos seus velhos, com toques de dedos em telemóveis.
Amor é amor e tem de ser de olhos nos olhos, com afagos, presença e carinho. Portugal está a perder imensos valores, a perder calor humano, simpatia natural… Era o que o distinguia de outros países!...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Televisão

Sou fã, consumidora exagerada e acho fácil para toda a gente possuir esta caixinha miraculosa.
As razões, que posso apresentar, para esta minha admiração por este meio de comunicação, muitas vezes enganador, são as seguintes:

1- É o mais democrático. Tanto chega aos habitantes do litoral como aos do interior do País, só que estes pagam muito mais do que aqueles e ficam com menos canais. Estão a ver a democracia?...

2- É o melhor elemento para a cura da solidão. Quantas das pessoas que vivem sozinhas têm-na como última companhia, já que os filhos trabalham, estão longe, ou não existem
e outros existindo, são muito esquecidos.

3-Uma casa com a televisão ligada tem vida, não é soturna, não é triste, espalha som, luz e imagem, parecendo que há festa.

4-Que seria de nós se ao desenrolar das telenovelas, não soubéssemos se o vilão vai ser castigado, se a menina casa ou não casa (regra geral casam sempre, aos seis e aos sete, duma vez só). Os casamentos são o forte das telenovelas e a gente gosta. Quem é que não gosta de casar?

5-Que seria dos nossos fanáticos do futebol, dos doidos da Selecção se não fosse a caixinha a dar-lhes as imagens do decorrer do derby? É que o jantar tem de encaixar nos horários.

6-E como cultivávamos a nossa infelicidade se o Noticiário não nos desse as notícias que vão do mau ao horripilante, quase nunca amenizadas com algo de agradável?

7-É uma caixinha mágica que com os seus longos (mais de meia hora) períodos publicitários nos fazem ter sede de todas as bebidas: águas, coca-cola, cervejas, sumos, frutos, yogurtes, licores e outras mais perigosas. E em cosmética?...Há cabelos maravilhosos, peles sempre jovens, raparigas de sonho, rapazes musculados, etc.

8-Debates muito construtivos em que falam, falam e não dizem nada, mas pior não fazem nada também.

9-Esta sim! Esta é a maior virtualidade deste aparelho: - arranje um bom sofá, baixe o som, recoste-se em boas almofadas, feche os olhos e durma uma boa soneca.
Ah! Como é bom ter uma televisão!...

A dignidade de um povo


 A  História de Portugal deve ser das mais empolgantes e heróicas de toda a Europa.
História milenária de homens fortes, que em contacto com civilizações de mundos desconhecidos, com coragem, loucura, sofrimento e morte, tudo fizeram em nome dessa mesma Pátria.
Cientistas antigos, descobrindo métodos náuticos até ali desconhecidos, mapas de navegação, instrumentos inéditos, barcos diferentes…
São nossos!...
Cientistas modernos, jovens, que recebem prémios em todo o mundo e são cobiçados pelas grandes potências; são nossos…
Escritores célebres, médicos de génio, são agraciados com prémios Nobel; São  nossos…
Criatividade, inteligência, poder de trabalho, paixão pela descoberta, ninguém nos pode negar.
Gastronomia invejável, paisagens esplendorosas, sol, mar; climas variados, hospitalidade e até “servilismo”, são apanágio dos portugueses.

De repente  surge um novo mundo económico, asqueroso e ilícito de uma União Europeia que pretende espezinhar, amesquinhar todos os países pequenos, principalmente do Sul da Europa.
E no meio desta confusão, reina a mediocridade e oportunidade de políticos, administradores, banqueiros e quejandos.
A América quer sufocar a Europa. A Europa dos grandes, quer absorver a Europa dos pequenos. Com uma opinião absolutamente pessoal, o único que mostra uma certa dignidade, é o povo. Em campanhas de solidariedade para inúmeras associações, a sua comparticipação foi maior e mais abundante. Não nos estamos a auto-destruir, a partir montras, a incendiar, a destruir. A generosidade do Português, a sua sensibilidade, a sua entreajuda, mostra a sua diferença ao mundo.
No entanto e aí está o grande choque ?...
Como pode nomear-se um Catroga, a ganhar 45.000 € por mês, enquanto o Zé Povinho ganha pouco ou nada,
Os memorandos, as Troikas, os embustes, os governos, as concertações sociais e a Senhora Merkel que vão dar uma volta… Ninguém os chamou nem os elegeu.
E lá prosseguimos nós num “servilismo” que vem de trás, a obedecer a este contexto e a superá-lo em que o dinheiro ordena e o humano desespera.
Mas, cuidado ! O balão enche, enche até, até que rebenta!...