sábado, 23 de novembro de 2013

"Frio"

Frio é o teu olhar, indiferente,
Que olha a gente, mas não penetra
No nosso íntimo, nem vem do teu.
Frio é tudo o que não aquece
Que esmorece
E faz parar teu pensamento e o meu.
Frio é o silêncio da solidão
Nuvem carregada no coração.
Frio é o vazio
Frio é a indiferença ou malquerença.
Frio é arrepio
Que passa no corpo da gente
Que treme por dentro e que sente
Que algo passou
Que não é bom.
Frio, porque o pássaro se esconde
Não canta, não se mostra
No buraco de qualquer árvore se enrosca.
Frio é o louco vento
Que ensurdece meu pensamento.
Frio é também bela lareira
Que dá calor.
E aconchegada na tua cama
Fazes amor.
Abres janelas, tudo branqueia,
Aí tu ficas com alma cheia.
Eu não condeno todos os frios.
Os frios da alma, esses, eu temo
Ai! A esses eu tenho horror!

Beatriz Correia

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