quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A neve caiu na Europa...

                                                    

                  Num prenúncio de Paz, de Alegria, de Luz e Pureza a neve aí está!..,
  Branca e leve Branca e fria…
                              Há quanto tempo a não via…
                              E que saudades Deus meu!..
      Veio queimar, gelar e derreter muito do feio, escuro, lamacento e pôdre que anda  por  aí ?
Anuncia-se o Inverno com toda a pompa e circunstância dando-nos um banho de pureza, e brancura.
      Branca ficará a alma de cada um, neste período tão lindo, tão forte de tradições, tão intrínseco de afectos?
      Branca ficará a mente  dos portugueses com as famílias unidas pelo amor, sem grande
aparato nem consumismo? Poderá alegrar e dar esperança aos que estão esquecidos?

      Ficará branca e cheia de esperança a entrada de um novo ano?
      A brancura atingirá os corações mais fechados, mais empedernidos, mais rancorosos, mais egocêntricos?
      Será que a luz que a sua brancura emite entrará em todas as casas, em todas as cidades, lugares e tugúrios?
      Deus oferece-nos todas as possibilidades e nós usamo-las, sem dar pela presença d`Ele.
      Quando penso que sou mais do que os outros, estou a manchar de negro a neve.
      Quando não considero o meu semelhante como meu amigo, estamos a procurar a escuridão, em vez da luz.
      Quando lutamos ansiosamente pelos bens materiais para nos sobrepormos como importantes, influentes e mais fortes, estamos a pisar a neve….
      Às vezes ponho-me a pensar como a Natureza nos dá cada lição que é de ficar atónico: - São as cheias inesperadas, provocadas por trombas de água impensáveis a  dizer-nos que somos impotentes, mesmo que fanfarrões.
      São os vulcões revoltados que explodem em chamas e lava, forçando povoações  inteiras a mudar de rumo.
      São os tsunamis em que o mar enraivecido leva tudo à sua frente em rajadas de força que nem hotéis, nem casas, nem homens, nem nada os detém.
      São tremores de terra que fazem ruir tanto os grandes palácios como barracas indefesas, matando, esmagando,  pessoas, animais e coisas.
      São minas que rugem, desabam e abafam no interior da terra, tirando vidas a trabalhadores que lutam.
      São tantos, tantos os fenómenos que nos demonstram que o indivíduo em si “é nada”, é” zero”…
      Por vezes há acontecimentos de séculos que parecendo anedotas, são factos:
      Um alquimista que andava em busca do elixir da juventude, descobriu a pólvora no Século IX. Misturou salitre e enxofre com carvão vegetal em determinadas proporções e… surgiu a pólvora. Agora vejam-se as consequências desta descoberta: A pólvora mata, mas também é utilizada no fogo-de-artifício.
      É com uma girândola de fogo-de-artifício mental, que termino este artigo e que ele lance os seus reflexos na neve que cobre a Europa dos Grandes.

      Não há neve que limpe as lágrimas do desespero.Não há.                                       
     

Vergonha


          


              Muitos velhinhos são encontrados mortos nos seus apartamentos.
              As notícias chegam-nos como um baque surdo, como uma espadeirada nas costas e direita ao coração. Sente-se vergonha, sente-se raiva, revolta, uma tal profusão de sentimentos que nos atordoa.
É que embora não saibam, não sou de esquerda (apesar de o pensarem, os pobres de espírito) nem sou da direita, do que ninguém tem dúvidas. Estou-me nas tintas para esses clubismos políticos.
Sou pela solidariedade, sou pela tolerância, sou principal e fundamentalmente pelo “Humanismo”. Detesto os políticos, detesto os fanáticos; neste momento detesto o mundo em que vivemos. Como isto é possível? A que ponto chegou a insensibilidade nas pessoas, nas instituições, nas autoridades, nos condomínios, nos vizinhos?... Salvaguardando o zelo das visitas e conversas que ultimamente as autoridades têm feito, tal era a escandalosa situação, assim como a distribuição de mecanismos de ligações directas a meios de auxílio, os tristes casos continuam!...
Setenta pessoas no Hospital Amadora-Sintra, abandonadas ou com medo de irem para casa… Somem-se-lhe agora os idosos dos outros hospitais. É um escandaloso facto.
Como este, há outros casos mais.
E o cidadão passa indiferente, impassível, como se fosse um caso de somenos.
Apertam as mãos na cabeça porque há mais idosos do que jovens de 15 anos. E que culpa têm os idosos? Que culpa têm eles de viver? Não convidam os jovens a emigrar? Quem fica?
Que culpa têm eles deste País ser um país de desperdícios. Desperdiçam o tempo, desperdiçam as relações humanas, desperdiçam o trabalho e … desperdiçam “o saber de experiência feito”. Cada velhinho tem consigo um manancial de conhecimentos, de valências, de histórias que são esquecidas e assim transformam um tesouro de vidas, tornando-as amorfas, sem entusiasmo, sem alegria e sem objectivos. Nos lares, nos hospitais, em casa, sozinhos, todos sofrem do mesmo mal… são desprezados. Que tempo é este em que desagregam completamente as famílias? Algumas há, que mantêm as suas tradições. Algumas há, que fingem que as mantêm. A maior parte diluiu-se, mantendo-se afastada, esboroou-se porque estar com velhos não é uma  coisa agradável. É muito mais divertido estar com o cão ou o gato.
O ser humano chegou nos últimos anos a esta conclusão: valem mais os animais do que o pai ou a mãe.
Doentes, desprotegidos, sós, afectivamente postos de parte. O que lhes resta? Morrer no chão duma cozinha e esperar nove anos que dêem por isso?..
Desgraçada será a geração que esquece quem os trouxe no ventre ou quem tem nas veias sangue do mesmo sangue…
A revolução tecnológica está aí, em força, tão necessária e útil quanto perigosa; mas nenhuma nação, por mais tecnicista que seja, poderá avançar calcando valores, esquecendo afectos, materializando tudo e, olhando pelos seus velhos, com toques de dedos em telemóveis.
Amor é amor e tem de ser de olhos nos olhos, com afagos, presença e carinho. Portugal está a perder imensos valores, a perder calor humano, simpatia natural… Era o que o distinguia de outros países!...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Televisão

Sou fã, consumidora exagerada e acho fácil para toda a gente possuir esta caixinha miraculosa.
As razões, que posso apresentar, para esta minha admiração por este meio de comunicação, muitas vezes enganador, são as seguintes:

1- É o mais democrático. Tanto chega aos habitantes do litoral como aos do interior do País, só que estes pagam muito mais do que aqueles e ficam com menos canais. Estão a ver a democracia?...

2- É o melhor elemento para a cura da solidão. Quantas das pessoas que vivem sozinhas têm-na como última companhia, já que os filhos trabalham, estão longe, ou não existem
e outros existindo, são muito esquecidos.

3-Uma casa com a televisão ligada tem vida, não é soturna, não é triste, espalha som, luz e imagem, parecendo que há festa.

4-Que seria de nós se ao desenrolar das telenovelas, não soubéssemos se o vilão vai ser castigado, se a menina casa ou não casa (regra geral casam sempre, aos seis e aos sete, duma vez só). Os casamentos são o forte das telenovelas e a gente gosta. Quem é que não gosta de casar?

5-Que seria dos nossos fanáticos do futebol, dos doidos da Selecção se não fosse a caixinha a dar-lhes as imagens do decorrer do derby? É que o jantar tem de encaixar nos horários.

6-E como cultivávamos a nossa infelicidade se o Noticiário não nos desse as notícias que vão do mau ao horripilante, quase nunca amenizadas com algo de agradável?

7-É uma caixinha mágica que com os seus longos (mais de meia hora) períodos publicitários nos fazem ter sede de todas as bebidas: águas, coca-cola, cervejas, sumos, frutos, yogurtes, licores e outras mais perigosas. E em cosmética?...Há cabelos maravilhosos, peles sempre jovens, raparigas de sonho, rapazes musculados, etc.

8-Debates muito construtivos em que falam, falam e não dizem nada, mas pior não fazem nada também.

9-Esta sim! Esta é a maior virtualidade deste aparelho: - arranje um bom sofá, baixe o som, recoste-se em boas almofadas, feche os olhos e durma uma boa soneca.
Ah! Como é bom ter uma televisão!...

A dignidade de um povo


 A  História de Portugal deve ser das mais empolgantes e heróicas de toda a Europa.
História milenária de homens fortes, que em contacto com civilizações de mundos desconhecidos, com coragem, loucura, sofrimento e morte, tudo fizeram em nome dessa mesma Pátria.
Cientistas antigos, descobrindo métodos náuticos até ali desconhecidos, mapas de navegação, instrumentos inéditos, barcos diferentes…
São nossos!...
Cientistas modernos, jovens, que recebem prémios em todo o mundo e são cobiçados pelas grandes potências; são nossos…
Escritores célebres, médicos de génio, são agraciados com prémios Nobel; São  nossos…
Criatividade, inteligência, poder de trabalho, paixão pela descoberta, ninguém nos pode negar.
Gastronomia invejável, paisagens esplendorosas, sol, mar; climas variados, hospitalidade e até “servilismo”, são apanágio dos portugueses.

De repente  surge um novo mundo económico, asqueroso e ilícito de uma União Europeia que pretende espezinhar, amesquinhar todos os países pequenos, principalmente do Sul da Europa.
E no meio desta confusão, reina a mediocridade e oportunidade de políticos, administradores, banqueiros e quejandos.
A América quer sufocar a Europa. A Europa dos grandes, quer absorver a Europa dos pequenos. Com uma opinião absolutamente pessoal, o único que mostra uma certa dignidade, é o povo. Em campanhas de solidariedade para inúmeras associações, a sua comparticipação foi maior e mais abundante. Não nos estamos a auto-destruir, a partir montras, a incendiar, a destruir. A generosidade do Português, a sua sensibilidade, a sua entreajuda, mostra a sua diferença ao mundo.
No entanto e aí está o grande choque ?...
Como pode nomear-se um Catroga, a ganhar 45.000 € por mês, enquanto o Zé Povinho ganha pouco ou nada,
Os memorandos, as Troikas, os embustes, os governos, as concertações sociais e a Senhora Merkel que vão dar uma volta… Ninguém os chamou nem os elegeu.
E lá prosseguimos nós num “servilismo” que vem de trás, a obedecer a este contexto e a superá-lo em que o dinheiro ordena e o humano desespera.
Mas, cuidado ! O balão enche, enche até, até que rebenta!...