Num prenúncio de Paz, de Alegria, de Luz e Pureza a neve aí está!..,
Branca e leve Branca e fria…
Há quanto tempo a não via…
E que saudades Deus meu!..
Veio queimar, gelar e derreter muito do feio, escuro, lamacento e pôdre que anda por aí ?
Anuncia-se o Inverno com toda a pompa e circunstância dando-nos um banho de pureza, e brancura.
Branca ficará a alma de cada um, neste período tão lindo, tão forte de tradições, tão intrínseco de afectos?
Branca ficará a mente dos portugueses com as famílias unidas pelo amor, sem grande
aparato nem consumismo? Poderá alegrar e dar esperança aos que estão esquecidos?
Ficará branca e cheia de esperança a entrada de um novo ano?
A brancura atingirá os corações mais fechados, mais empedernidos, mais rancorosos, mais egocêntricos?
Será que a luz que a sua brancura emite entrará em todas as casas, em todas as cidades, lugares e tugúrios?
Deus oferece-nos todas as possibilidades e nós usamo-las, sem dar pela presença d`Ele.
Quando penso que sou mais do que os outros, estou a manchar de negro a neve.
Quando não considero o meu semelhante como meu amigo, estamos a procurar a escuridão, em vez da luz.
Quando lutamos ansiosamente pelos bens materiais para nos sobrepormos como importantes, influentes e mais fortes, estamos a pisar a neve….
Às vezes ponho-me a pensar como a Natureza nos dá cada lição que é de ficar atónico: - São as cheias inesperadas, provocadas por trombas de água impensáveis a dizer-nos que somos impotentes, mesmo que fanfarrões.
São os vulcões revoltados que explodem em chamas e lava, forçando povoações inteiras a mudar de rumo.
São os tsunamis em que o mar enraivecido leva tudo à sua frente em rajadas de força que nem hotéis, nem casas, nem homens, nem nada os detém.
São tremores de terra que fazem ruir tanto os grandes palácios como barracas indefesas, matando, esmagando, pessoas, animais e coisas.
São minas que rugem, desabam e abafam no interior da terra, tirando vidas a trabalhadores que lutam.
São tantos, tantos os fenómenos que nos demonstram que o indivíduo em si “é nada”, é” zero”…
Por vezes há acontecimentos de séculos que parecendo anedotas, são factos:
Um alquimista que andava em busca do elixir da juventude, descobriu a pólvora no Século IX. Misturou salitre e enxofre com carvão vegetal em determinadas proporções e… surgiu a pólvora. Agora vejam-se as consequências desta descoberta: A pólvora mata, mas também é utilizada no fogo-de-artifício.
É com uma girândola de fogo-de-artifício mental, que termino este artigo e que ele lance os seus reflexos na neve que cobre a Europa dos Grandes.
Não há neve que limpe as lágrimas do desespero.Não há.
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