segunda-feira, 3 de março de 2014

A angústia

A Angústia

É uma emoção? É um sentimento? É uma premonição? É um pensamento? Não sei.
Sei que a angústia nos aparece ao longo da vida, múltiplas vezes, pelos acontecimentos que nos rodeiam, pela falta de saúde, pela ausência de afetos, pela perda irremediável de alguém.
É no entanto tão sentida, quanto indefinível: “ Sinto não sei quê, aqui no meu peito, que não me deixa respirar livremente”. Muita gente define assim a angústia, por vezes como presságio, outras vezes como facto vivido.

Mas a angústia vive connosco desde muito tenra idade e permitam-me que seja um bocadinho exagerada:
Aquele choro repetido, forte, dum recém- nascido, para além de afirmar: sim, nasci, estou vivo, respiro bem, os meus pulmões vibram. No meu modo de ver, é também o primeiro grito de angústia de quem deixou um ninho acolhedor, macio, flutuante e repentinamente se vê num mundo estranho, luzente e agressivo.
Depois vem a angústia do primeiro dia de escola, o olhar dos colegas, o acolhimento do educador, o início da socialização; a exigência do convívio no recreio, a aceitação ou rejeição.
O começo da autonomia , a exigência da aprendizagem, os testes, as emoções à flor da pele.
Será que pais, educadores, o contexto escolar, o próprio Ministério dará conta destas angústias, perdidos que andam nas suas próprias?
Não estamos em época própria para determinadas sensibilidades…
Por sua vez os pais de hoje com a necessidade e esforço do trabalho ou da falta dele, com os afazeres de casa, o equilibrar das despesas, o correr para os transportes, com a falta de tempo para o Tempo, chamam-lhe “stress”, mas é angústia pura.
E quando se corre para o hospital com alguém muito doente e não se recebe a tempo e horas o benefício ( obrigação) de se ser atendido com respeito e humanidade; quando não se sabe o que tem e ninguém nos vem dizer NADA; eis a mesma angústia a golpear-nos.
Quando se estuda, quando se julga que uma capa e batina é o passaporte de um futuro promissor e tudo desaparece num trágico instante, deve ser uma angústia muito próxima da loucura. Quando se encontra um mundo de trabalho completamento fechado, sem segurança, sem hipóteses, aí o mundo se desmorona…Aí vem ela…
Mas a angústia das angústias é quando nos arrancam um ser querido e o levam para nunca mais…Aí é incomensurável e chega à dor.

Não pretendo entristecer ninguém, até porque eu vivo e vivi muitas angústias, mas vivo para a alegria porque desde há muito tempo tenho calcado as minhas angústias com quanta força tenho. Queria apenas salientar o quanto vale a palavra certa, o ombro amigo, um bom e
sensível acompanhamento.

E às pessoas insensíveis, superficiais, dedico-lhe a minha enorme indiferença, com um sorriso de circunstância.


03/03/ 2014

Beatriz Correia


sábado, 23 de novembro de 2013

"Frio"

Frio é o teu olhar, indiferente,
Que olha a gente, mas não penetra
No nosso íntimo, nem vem do teu.
Frio é tudo o que não aquece
Que esmorece
E faz parar teu pensamento e o meu.
Frio é o silêncio da solidão
Nuvem carregada no coração.
Frio é o vazio
Frio é a indiferença ou malquerença.
Frio é arrepio
Que passa no corpo da gente
Que treme por dentro e que sente
Que algo passou
Que não é bom.
Frio, porque o pássaro se esconde
Não canta, não se mostra
No buraco de qualquer árvore se enrosca.
Frio é o louco vento
Que ensurdece meu pensamento.
Frio é também bela lareira
Que dá calor.
E aconchegada na tua cama
Fazes amor.
Abres janelas, tudo branqueia,
Aí tu ficas com alma cheia.
Eu não condeno todos os frios.
Os frios da alma, esses, eu temo
Ai! A esses eu tenho horror!

Beatriz Correia

domingo, 3 de novembro de 2013

Estamos cansados

A transformação deste País que amamos é impressionante. Parem, vejam, escutem o pulsar deste povo, visitem a miséria,protejam e dêem ânimo aos envergonhados, tomem conhecimento de tudo o que se passa.
Não se deixem cegar pelo vosso conforto, não se escondam nos estofos de pele da vossa extensa frota de automóveis de luxo. Dispensem tantos assessores, sejam humildes ,não ao exterior, mas aos vossos... compatriotas, que vos elegeram. Digam-nos o que está por detrás de tudo isto; se compreendessemos... Qual é o aspirador que sorve tanto dinheiro?
Não observam e não têm orgulho em tantos portugueses que em todas as
áreas ganham medalhas de ouro, prata; não ouvem falar nos turistas que curiosos vêem alguns para apreciar a nossa desgraça e se deslumbram
com tudo oque se lhes depara; não repararam no surto de criadores que enfrentam os competidores estrangeiros; não viram como todos cobiçam os jovens inventores, que nos roubam. Estamos cansados de vós.Parem.
Abram as vossas mentes, não deixem pagar o justo pelo pecador.Se o não fizerem e não mudarem o sistema, que vos atrai, certo será que a maior onda da Nazaré nos afogará a todos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Apetece-me dizer bem.

Apetece-me a dizer bem…

Sofrem os portugueses de uma doença grave há já muitos anos, muitos anos mesmo, para a qual dificilmente se encontra cura: dizer mal de tudo, de Portugal, dos portugueses, da Pátria, do seu concelho, das autarquias, dos políticos (coitados), da vizinha, da vida, enfim…

E como é que se vive?... E como é que se vivia?...

Apetece-me dizer bem.

Que bom é que em Portugal tanta gente nova tenha casa própria, bem apetrechada, com todos os decoradores à sua volta.

Que país maravilhoso onde em quase todos os lares há carros para pais, filhos, esposas e netos.

Como nós vivemos felizes naquelas filas enormes para adquirir bilhetes caros para assistir aos grandes desafios de futebol ou Festivais (a multidão quase se esmaga), numa histeria louca.

Que variedade e requinte de montras onde se exibem todas as marcas dos grandes costureiros, com roupas, sapatos e acessórios, de entontecer.

Que lindas as toiletes das esbeltas senhoras, quando pisam a passadeira vermelha, nos grandes eventos.

Calculem bem como é bom usufruir das belas mansões no Alentejo, Algarve ou no paraíso do Douro.

Que País tem Sol, calor, frio, trovoada, nevoeiro, graniso e neve, no mesmo dia; já tivemos.

Que País tem uma classe política tão engraçada como o nosso? O seu sorriso quando anunciam medidas que humilham milhares de cidadãos, a sua versatilidade, a seriedade, sua mutação, exageros, golpes de teatro, com os meios de comunicação a ajudar; causam mesmo emoção.

E o folclore, a gastronomia, as praias, os monumentos, os solares nortenhos, os vinhos, os queijos, os linhos, os bordados e as cores!


Apeteceu-me dizer bem, que me perdoem os ofendidos deste lindo País.




Beatriz correia 17/09/2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Haja bom senso!...

Num anterior blog apontava a crise moral no nosso País e continuo afirmando que é mais mental do que económica.Os portugueses pouco ou nada mudaram nos seus pensamentos e nos seus conceitos.
A Europa parece ter provocado uma espécie de terrorismo económico e nós na nossa proverbial submissão,já há muito enraizada, transpomos para o povo através dos meios de comunicação, um fatalismo que nos envergonha...Tudo isto leva ao erro, ao desânimo, á depressão e não poucas vezes está a levar ao suicídio.
Quem como cidadã,já assistiu a outras crises, já ouviu e passou por guerras anteriores,permito-me alertar
para as consequências desta trajetória do desânimo.
Nunca vi o povo português tão sem Esperança!Calma!...Não é na modorra, temperada com lamúrias. fatalismos e desgraças que um país avança.E os arautos da desgraça, os dirigentes, por nós eleitos, fazem disso um cavalo de batalha. Anunciam medidas que fazem tremer, ao outro dia,desmentem-nas.Mas o que é isto? O que pretendem? Eu julgo que nem eles sabem, presos que estão a um hipnotismo europeu que não os deixa pensar.
Admito que a coisa é séria e nem pensões,nem vencimentos,nem poupanças,nem ricos,nem emergentes se podem sentir seguros nem nos empregos, para quem os tem,nem nas contas chorudas.Jaques Delors avisou:-Ponham de parte as querelas políticas e recusem-se a que os banqueiros façam tremer os governos da zona Euro.Foi presidente da  Comissão Europeia e deve conhecer os seus meandros como ninguém.ABanca deu facilidades a todos, sem olhar a quem.Agora tritura-os e tortura-os.
"A formiga alemã não está disposta a sustentar a cigarra dos países pobres", segundo a chanceler.
Há que mudar mentalidades: porque é que os emigrantes preferidos na Alemanha são os portugueses?
Sei. São honestos e trabalhadores.Alguém compreende esta falta de coerência e de bom senso? Eu não.
Só vejo a minha linda Pátria a esvaziar-se ingloriamente!...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MAR

MAR, meu ser já não sou eu. O SOL, a brisa, a areia e o teu cheiro... Faz-me ser leve, voar, ninfa, sereia, peixe do mar. Partir, sair do meu lugar. E ficar tonta só de te olhar...

A tua espuma branca, branquinha, com o seu ruído de estralejar, nos atrái, nos desafia, a rodear, leve, os nossos pés. E aí mesmo, nos vem beijar.

Tudo se esvai... Tudo se esquece... Só tu atrais... Num impensado temor, não sei se é raiva, se é amor.
A ti me entrego, contigo luto e assim disfruto todo um prazer. De quem mais fraco, te vai vencer.

E tu me acolhes, me fortaleces, me acaricias e me endoideces. Saio cansada. Luta acabada...



E o corpo por ti banhado,
Ao sol se aquece reconfortado!...

terça-feira, 30 de abril de 2013

A insuportável incerteza


A Insuportável Incerteza...

Nos tempos que vamos vivendo,o maior, o mais pesado estigma com que estes governos nos têm marcado é o da incerteza e da confusão.A confusão e o viver nela é qualquer coisa muito difícil de suportar: há a confusão dos nossos sentimentos, há a confusão das multidões, a do vazio quando nos falta alguém, muitas confusões, etc.
Muitas vezes no meio de um silêncio saboroso, de uma paz de alma, duma meditação, surgem pensamentos contraditórios, tristezas e mágoas, raivas e malquerenças, dores e sofrimentos que nos confundem.
Confusão é também viver num mundo, onde globalmente ninguém se entende; sem respeito, sem  ternura, sem pudor nem dignidade.Diz-se uma coisa hoje, desmente-se amanhã.
Houve uma época em que o "Zè e a Maria" pensaram que seriam sempre ricos, compraram casa, carros, férias, sem  sequer notar que os Bancos é que eram os proprietários...
A televisão, a imprensa, a rádio, os comentadores ajudaram à"facilidade".Agora reina a incerteza!
Nos Hospitais,se uma grande percentagem trabalha, dedica-se, humaniza a sua função, outros há que não nasceram para estar ali. Desses alguns já estão a pagar a sua displicência.
Mas o "Zé e a Maria"têm medo de adoecer; lá está a incerteza!
Na Educação é o caos total: - Alunos, pais, professores e todos os agentes da educação, não sabem o que os espera. Não se planeia, não se avisa, não se concorre transparentemente.E fica esquecido que toda esta confusão mexe com milhares de lares.Era de supor mais bom-senso,mais ponderação, mais cuidado e consideração pela população. Sei que há "MEMORANDOS" a cumprir, mas nenhum memorando se pode sobrepor à dignidade de um povo, que merece,oh! se merece e merece muito, dada a sua tolerância, ainda que revoltosa!
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